sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

a menina do coração na mão

ela nasceu assim:
com o coração na mão.
com o amor exposto.
a saudade à vista.
a paixão em carne viva.
controlá-lo, impossível.
sufocá-lo, jamais.
escondê-lo, talvez.
a menina do coração na mão
gostava de passear com ele.
que bate mais forte em locais especiais.
no estádio, quando o Flamengo entra em campo.
na Missa do Outeiro.
no Pôr do Sol em Ipanema.
no Café da Livraria.
mas a menina estava cansada
de andar pra todo canto com o coração assim.
queria guardá-lo. 
ou melhor...
ter alguém pra cuidar dele.
e fazê-lo pulsar por toda uma vida. 
andando com ele por aí, 
encontrou receptores, doadores, gente querendo trocar.
mas que nunca fizeram o coração bater daquele jeito 
que quase salta da mão...
por vezes ele ficou ferido, machucado, doente de quase parar.
até que um dia, assim, meio sem direção
o coração da menina bateu num ritmo muito fora do lugar
saltou da mão, foi pra cabeça, pulou para outras partes do corpo
o coração bateu de um jeito.
diferente, sem explicar.
quando encontrou 
assim meio de repente, 
alguém para guardar.
seu amor.O SEU AMOR.


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