com o coração na mão.
com o amor exposto.
a saudade à vista.
a paixão em carne viva.
controlá-lo, impossível.
sufocá-lo, jamais.
escondê-lo, talvez.
a menina do coração na mão
gostava de passear com ele.
que bate mais forte em locais especiais.
no estádio, quando o Flamengo entra em campo.
na Missa do Outeiro.
no Pôr do Sol em Ipanema.
no Café da Livraria.
mas a menina estava cansada
de andar pra todo canto com o coração assim.
queria guardá-lo.
ou melhor...
ter alguém pra cuidar dele.
e fazê-lo pulsar por toda uma vida.
andando com ele por aí,
encontrou receptores, doadores, gente querendo trocar.
mas que nunca fizeram o coração bater daquele jeito
que quase salta da mão...
por vezes ele ficou ferido, machucado, doente de quase parar.
até que um dia, assim, meio sem direção
o coração da menina bateu num ritmo muito fora do lugar
saltou da mão, foi pra cabeça, pulou para outras partes do corpo
o coração bateu de um jeito.
diferente, sem explicar.
quando encontrou
assim meio de repente,
alguém para guardar.
seu amor.O SEU AMOR.

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